Início O Arquivo Capítulo XII
Quinta · Séc. XVIII Ref. THA-012

Quinta das
Romãzeiras

Pero Pinheiro, Sintra, Portugal

Valor de custódia

3.100.000 €

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1.100Área total
12div.Divisões principais
6suítesQuartos
9.200Terreno total
1738Ano de construção
"A Quinta das Romãzeiras encerra o nosso Arquivo com a serenidade e a autenticidade que a tornam única. Ao contrário dos grandes palácios de representação ou das villas de aparato, esta quinta setecentista de Pero Pinheiro preservou a sua vocação agrícola e o seu carácter íntimo, sem jamais ter cedido à tentação da renovação fácil. Os lagares com as prensas de viga originais ainda hoje operacionais, os azulejos do salão nobre assinados pela Real Fábrica de Loiça de Sacavém, e o jardim formal de buxo com as romãzeiras que lhe deram o nome — estas são as memórias que uma propriedade assim guarda para quem a souber receber." — Francisco S. Branco, Curador Associado

Construída em 1738 pelo morgado Gonçalo de Azevedo-Pinto, a Quinta das Romãzeiras é um dos mais completos exemplares da arquitectura de quinta pombalina na área de Sintra: a casa senhorial de dois pisos com varanda alpendrada sobre o jardim, os lagares e adegas no corpo baixo, a capela privada com espadana, e os pátios de serviço constituem um conjunto de excepcional integridade que sobreviveu intacto a mais de dois séculos de história.

O salão nobre do primeiro piso conserva um notável conjunto de painéis de azulejos figurativos — cenas de caça e episódios mitológicos em azul e branco — atribuídos à manufactura da Real Fábrica de Loiça do Rato, datáveis de c. 1755–1760. O soalho de carvalho nacional e os tectos de caixotão pintado são originais e encontram-se em estado de conservação notável. A cozinha de fogão de pedra, com a sua chaminé monumental e os azulejos de padrão geométrico oitocentista, é um documento vivo da vida doméstica de uma quinta senhorial portuguesa.

Os lagares históricos, com duas prensas de viga em madeira de azinho ainda operacionais, constituem uma raridade a nível nacional. A adega guarda pipas de carvalho e a loja de azeite preserva as talhas de barro originais. A propriedade inclui ainda pomar, horta muralhada e uma nora de alvenaria que abastece o sistema de rega do jardim formal.

O jardim de buxo, desenhado em seis parterres geométricos centrados numa fonte de granito, conserva as romãzeiras que deram o nome à quinta — algumas com mais de cento e cinquenta anos — e um enquadramento de camélias e massas de hortênsias que fazem desta propriedade um lugar de beleza singular em todas as estações do ano.

Interior

  • Salão nobre com azulejos figurativos (c. 1755–60)
  • 6 suítes com casa de banho privativa
  • Cozinha monumental com chaminé de pedra
  • Biblioteca com escritório envidraçado
  • Sala de jantar para 24 pessoas
  • Adega histórica com pipas originais
  • Loja de azeite com talhas de barro

Exterior

  • Jardim formal de buxo com 6 parterres
  • Romãzeiras centenárias (elemento original)
  • Lagares com prensas de viga operacionais
  • Pomar e horta muralhada
  • Nora de alvenaria e sistema de rega
  • Casa do caseiro independente
  • Dois pátios de serviço empedrados

Classificação

  • Imóvel de Interesse Municipal
  • Inventário IHRU 2008
  • Relatório de estado de conservação disponível
  • Avaliação patrimonial dos azulejos disponível

Infraestrutura

  • Electricidade trifásica
  • Furo artesiano com bomba submersível
  • Sistema de rega por gravidade (nora)
  • Aquecimento central (2018)
  • Fibra óptica instalada
  1. 1738

    Fundação pelo morgado Gonçalo de Azevedo-Pinto

    Construção da casa senhorial e dos lagares pelo morgado Gonçalo de Azevedo-Pinto, proprietário de vinhas e olivais em Pero Pinheiro, que nomeou a quinta pelas romãzeiras plantadas no jardim formal.

  2. 1755

    Azulejos do salão nobre

    Encomenda e assentamento dos painéis de azulejos figurativos do salão nobre, atribuídos à Real Fábrica de Loiça do Rato — o investimento decorativo mais significativo da história da quinta.

  3. 1812

    Passagem para a família Ribeiro-Sousa

    Após extinção da linha dos Azevedo-Pinto, a quinta passou por herança para a família Ribeiro-Sousa, que ampliou o pomar e construiu a horta muralhada ainda existente.

  4. 1934

    Última vindima activa

    Última campanha vitícola e de produção de azeite com os lagares em plena actividade. A partir desta data a quinta manteve-se como residência de Verão da família, preservando os lagares sem os modificar.

  5. 2018

    Intervenção de conservação

    Restauro dos azulejos do salão nobre, consolidação da cobertura e das alvenarias, modernização das instalações sanitárias e eléctricas, instalação de aquecimento central preservando todas as estruturas históricas.

  6. 2025

    Entrada no Arquivo

    Mandato de mediação entregue ao Heritage Archive pela terceira geração da família Ribeiro-Sousa, com o desejo expresso de transmitir a quinta a proprietário que preserve a sua vocação agrícola e o seu carácter autêntico.

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