Palacete
do Marquês
A Grande Intervenção
Construído em 1872 por um aristocrata português com fortuna colonial, este palacete de traça Neomourisco é um dos exemplares mais singulares da arquitectura sintrense oitocentista. Classificado como Imóvel de Interesse Público, o edifício chegou ao Ateliê Vão em avançado estado de degradação após décadas de abandono — com coberturas comprometidas, estuques em colapso e sistemas construtivos originais parcialmente destruídos por intervenções abusivas.
"Há projectos que são jornadas. Este foi uma arqueologia do que Sintra ainda pode ser."
A intervenção decorreu em três fases ao longo de quatro anos. A primeira fase consolidou a estrutura e eliminou as patologias críticas. A segunda fase recuperou os elementos artísticos — azulejos oitocentistas, estuques policromados, pavimentos hidráulicos — em colaboração com especialistas em conservação e restauro. A terceira fase introduziu as instalações contemporâneas e o programa de vida actual do edifício.
O resultado é um palacete que vive no presente sem abdicar da sua memória. A antiga sala de baile tornou-se a grande sala de recepção e biblioteca. O jardim mourisco, com as suas fontes e parterres geométricos, foi reconstituído com base em fotografias históricas e documentação de arquivo. A torre de vigia, que se tinha tornado inacessível, foi reaberta como espaço de leitura com vista para a Serra.